quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

#33

Já que a falta de assunto é total (é a crise, hehe), vou tentar fazer um balanço do meu 2008 cinematográfico, literário e musical. Filmes, livros e discos que, se por mim consultados no porvir, acredito que me remeterão diretamente a esse 2008 tão confuso e corrido.

Vou começar pelo filme que, junto com Renata, acabei de ver, depois de meses de espera e de enrolação – Be Kind, Rewind (Rebobine, Por Favor, na versão brasileira), de Michel Gondry (a mesma cabeça por trás de A Ciência do Sono, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças e A Natureza Quase Humana, estes dois em parceria com Charlie Kaufman).

E começo por esse filme justamente por ele ter me remetido a uma época que ficou para trás – a era das locadoras de VHS, que, como todos se lembram, até parece, mas é diferente da atual, do DVD. Pelo menos para mim.

Comecei a ir ao cinema novo, bem novo. Mas foi só quando meu pai comprou o primeiro videocassete lá para casa (eu tinha cinco anos) que eu posso dizer que tive minha primeira experiência cinematográfica.

O primeiro filme que assistimos na geringonça foi “Indiana Jones e o Templo da Perdição”. Não sei o que aconteceu, mas foi como se uma machadada tivesse aberto uma fenda em minha cabeça de criança e um mundo inteiro e novo se apresentasse diante de mim.

Um mundo que até hoje não me canso de desbravar e querer conhecer mais e mais.

Mas foi só no dia seguinte, em que fui à locadora com meu pai devolver o filme, que vi que aquela experiência que mexera comigo na noite anterior poderia se repetir muitas vezes, e das mais variadas formas.

Nas capinhas dos filmes eu percebia um universo de histórias esperando, pedindo, implorando para serem contadas.

E eu não resisti, cedi aos seus apelos e, além das histórias, um caminhão de novos conceitos chegou, tais como listas de reservas, fitas entregues sem rebobinar, atrasadas, em capinhas trocadas e papos intermináveis com balconistas e sócios dos, então, videoclubes.

Época boa. Tempo de De Volta para o Futuro, Robocop, Os Caça-Fantasmas, Blade Runner, Mad Max, Gremlins, entre tantos outros. E que, em pouco mais de 90 minutos, o Michel Gondry conseguiu trazer de volta quase como um todo.

Voltando ao filme.

Acredito que todos vocês já esbarraram por aí com, pelo menos, a sinopse do Be Kind, Rewind - uma locadora de VHS, pequenina, humilde, um dia, por acidente, tem todas suas fitas desmagnetizadas. No desespero, um funcionário e um amigo (soberbamente interpretado por Jack Black) começam a refilmar os filmes toscamente, à sueca, como eles mesmo dizem (assistam, e entenderão). Nível Ed Wood para baixo.


Daí até o final, que obviamente não contarei, o Michel Gondry consegue, à sua peculiar maneira, fazer uma bela declaração de amor ao cinema e ao “fazer cinema”, tal qual o também francês Truffaut, em sua inesquecível Noite Americana. Embora, na minha opinião, as piadas do Gondry sejam mais engraçadas.

3 comentários:

Diogo disse...

Tinhas 5 anos e pensava isso tudo? Jezuiz, eu acho que não jogava nem Atari.

ivan disse...

Opa. Com 5 anos começou minha paixão por filmes. Racionalizar isso acho que veio com 25. hehe

Mas eu ficava realmente louco numa locadora. Igual aquele gordinho na Fantástica Fábrica de Chocolate.

Aliás, até hoje sou meio assim.

redatozim disse...

Fico imaginando como eles regravaram os pornôs