
Na última semana, o Brasil inteiro acompanhou o sequestro (e seu trágico desfecho) das meninas Eloá Pimentel e Nayara Silva. E acompanhou porque emissoras de rádio e televisão, jornais, revistas etc. fizeram questão de mostrar e transformar em espetáculo o drama e a loucura alheios em prol de seus índices de audiência.
Deu no que deu. E justo quem não devia morreu.
Mais ou menos o que aconteceu há alguns anos atrás, no caso do ônibus 174, que recentemente voltou à pauta das discussões pelo lançamento do novo longa de Bruno Barreto – Última Parada 174.
Também hiper-explorado pela mídia à época, todo mundo se lembra do quão patético e terrível foi seu encerramento.
Em suma: dois casos, duas vítimas inocentes e uma cobertura midiática implacável, como se o destino de todos os brasileiros dependesse da conclusão daquilo.
Torno a repetir: eu sei que tragédias fascinam, mas custava à TV, pelo menos enquanto essas coisas estão acontecendo, alienar (mais) um pouquinho seus telespectadores?
Talvez a Eloá ainda estivesse aí.
3 comentários:
falar nisso, vc viu o filme do bruno barreto?
Vi não. Já sei o final do filme. hehe
Cara, vai um dado quente de quem atualmente conhece a realidade e intenção da TV brasileira. Não estão comprometidas com o jornalismo, ou qualquer outra coisa. O único comprometimento é a audiência. E em se tratando de audiência, a morbidez humana é imbatível. Todo mundo quer ver um sanguinho ou alguém que passa por uma desgraça. Para mim não só a polícia é culpada. Mas as próprias câmeras de TV, que estavam lá para registrar qualquer ação, ainda que esta ação pudesse ser a eliminação do autor do crime. Mas por estar na TV a repercussão de tal medida foi suficiente para suplantá-la.
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