quarta-feira, 24 de setembro de 2008

#15

Ontem, navegando por esses infinitos mares de 0 e 1, fiquei sabendo por acaso de uma polêmica gerada pelo editor-chefe do Caderno B do Jornal do Brasil, Mario Marques, que gastou seu nobre espaço para falar mal do CQC.

Direito dele. E problema também.

Porque, logo depois, centenas de leitores indignados escreveram ao JB ofendendo o Mario, exigindo uma retratação, ameaçando cancelarem suas assinaturas etc.

O Thiago Ney, da Folha de São Paulo, passou por isso recentemente.

Semana passada, escreveu na Ilustrada que o primeiro disco solo do Marcelo Camelo ”beira o insuportável” e recebeu centenas de e-mails desaforados de fãs do hermano.

Não vou entrar no mérito se as críticas foram ou não devidamente fundamentadas, mas, mesmo que não, a liberdade de expressão continua sendo um dos direitos mais mal compreendidos nesta nossa democracia, que mais parece coisa do demo, de tão deturpada.

Ora, em um mundo onde existe gente que come cocô, nada mais natural (e louvável) que cada um pense de um jeito, não acha?

Eu sei, tem certas coisas, como Beatles, Stanley Kubrick e feijoada, que todo mundo deveria ser obrigado a amar e reverenciar.

Mas, graças a Deus, não é bem assim e não importa o quanto você, seus amigos, sua família e a crítica achem determinada coisa genial: sempre vai existir aquele que pensa o contrário.

E já que toda unanimidade é burra, melhor que seja assim.

1 comentários:

Franklin disse...

Caro colega, concordo plenamente com sua crítica às críticas da crítica. A internet atual tem lembrado o mundo pré-civilização onde bandos corriam de um lado para outro caçando, dizimando outros bandos. Se alguém critica um assunto, logo o bando orkutiano, simpático ao assunto, vai atrás do autor e despeja suas pauladas. Qualé? A internet é também um reflexo da ignorância do povo que não tem idéia do que é respeitar opinião. Será que sabem o que é opinião? Vá lá, deixe seu comentário, mas sem violência.