Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2008

#37



Santa Claus, G.A. Smith, 1898

Domingo, 21 de Dezembro de 2008

#36

Não sei a quantas anda o Kindle, o iPod dos livros que a Amazon lançou no fim do ano passado. A última notícia que tive dizia respeito a um repentino e significativo aumento de suas vendas, depois que a Oprah Winfrey o mencionou em seu programa.

Aumentou, mas não virou febre como o iPod.

A única experiência que tive de ler um texto longo no PC foi particularmente desagradável. Eu sei que grande parte dessa culpa se deve à forma de iluminação da tela e que os novos aparelhos como o Kindle cuidaram desse detalhe.

Mas o livro de papel talvez ainda tenha seus encantos e os mantenha guardados sob forte esquema de segurança.

No entanto, se um dia essa magia for quebrada, a mesma relação que temos hoje com a música (o facílimo e amplo acesso a praticamente tudo que já foi lançado) chegará ao mundo dos livros.

E, assim, ao invés dos discos das três melhores bandas britânicas das últimas semanas, trocaremos as obras completas do Guimarães Rosa, do Shakespeare e do Nick Hornby. Filosofia grega completa? Tá na mão! Teatro também? Tó! Luís Fernando Veríssimo? Mole pra nós.

Ok. Ótimo.

Com verdadeiras bibliotecas de Babel em nossos bolsos, leríamos mais?

E melhor?

Abastecidos em questão de minutos com mais livros que duas bibliotecas de Alexandria, o que priorizaríamos?

Já cansei de ouvir lamentos de quem tem o hábito de baixar músicas da angústia pela falta de tempo de se ouvir atentamente a tudo aquilo que se baixou. E olha que falta de tempo já é o argumento primeiro de defesa de quem não tem o hábito de ler.

Livros de papel ocuparão assim um lugar semelhante àqueles que o vinil e, de certa forma, o CD ainda representam para o mundo da música. Um artefato de luxo, para quem exige e tem disposição e grana para pagar por uma qualidade melhor na apresentação de um determinado conteúdo.

E, como todo artefato de luxo, caro.

Ou seja, ou nós, bibliófilos anônimos e, até lá, antiquados, nos adaptemos, ou pagaremos ainda mais caro do que já pagamos por livros aqui no Brasil. Já que as tiragens, que já são ridículas, tenderão logicamente a cair. Quiçá desaparecer.

E aí eu quero ver alguém traduzir na raça aquele escritor turco ganhador do Nobel em 2023.

Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

#35

Dando sequência ao passeio pelo meu 2008, vamos agora falar de música.


E, musicalmente, o ano começou com o lançamento do sexto álbum de inéditas do Supergrass, Diamond Hoo Ha. O Supergrass tem uma trajetória que lembra um pouco a dos Los Hermanos. Logo no primeiro disco, os caras acertaram a mão com um hit (Alright, seu maior sucesso até hoje) que deveria entrar na playlist oficial dos anos 90, se esta existisse, mas que hoje é renegada pela banda. Depois, com In It For The Money (1997), a banda passou com folga pelo teste do segundo disco e, daí em diante, a cada disco lançado, a certeza de que um passo foi dado em direção a um rock honesto, repleto de referências legais, mas completamente autoral, daquele tipo que você escuta um pouquinho e já sabe que é Supergrass que está tocando.


Depois veio Al Green, com Lay It Down, que é de 2008 também, mas se você não soubesse e alguém dissesse que era de, sei lá, 57, 63, 71, você provavelmente iria acreditar. Soul com S maiúsculo. Falsetes, corais milimetricamente colocados, uma banda afinadíssima, participações realmente especiais e um repertório de primeira. É tudo o que eu posso dizer.


Conheci Into The Wild, de Eddie Vedder, antes de assistir ao filme do qual é trilha sonora - Na Natureza Selvagem, de Sean Penn. Onze músicas para se ouvir em movimento, de preferência a pé, indo para lugar nenhum.


Com exceção da letra W de seus nomes, o que Willie Nelson tem a ver com Wynton Marsalis? Respondo: ambos assinam Two Men With The Blues, uma deliciosa e elegante coleção de blues gravados ao vivo no ano passado que caiu como uma luva no meu (bom?) gosto.


"Esteja alerta para a regra dos três. O que você dá, retornará para você. Essa lição você tem que aprender. Você só ganha o que você merece." Com estas frases, ditas em português mesmo, o Portishead abre seu terceiro e aguardado álbum - Third. Disco difícil. Quando saiu, não consegui passar da segunda música. Meses se passaram, meu estado de espírito mudou e hoje não consigo passar muito tempo sem escutar.


Já falei aqui do Dig Out Your Soul, última coleção de músicas dos Gallagher & Cia. Ao contrário do Supergrass, o Oasis começou sua carreira com dois discaços, deu uma caidinha em Be Here Now (1997), uma caidona em Standing On The Shoulder Of The Giants (2000), começou a se recuperar em Heathen Chemistry (2002), entrou em forma com Don't Believe The Truth (2005) e agora com Dig Out Your Soul recupera seu lugar no panteão do rock britânico. Não é à toa que, depois disso, até o Blur resolveu voltar. hehe


Por último, outro disco que demorou para "bater" e que, por conta disso, quase ficou para trás - Viva La Vida or Death And All His Friends, do Coldplay. É complicado pegar um disco do Coldplay e não sair procurando por novas Yellow, God Put A Smile Upon Your Face, A Rush Of Blood To The Head... Mas Chris Martin é um cara esperto. Chamou Brian Eno e fez um disco para os que não tem pressa, para os que ainda possuem paciência de ouvir a mesma música algumas vezes, descobrindo novos detalhes a cada audição. Algo tão raro hoje em dia.

Bom, teve mais. Muito mais. Este ano dei uma enveredada pelo jazz, mergulhei no soul, escutei de novo muita coisa que há anos não ouvia...

Em um próximo post falo dos discos brasileiros, já que metade desse ano só ouvi música tupiniquim praticamente.

Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

#34

Acompanhamos jornais diariamente (sejam eles de papel, televisivos, radiofônicos, digitais etc.) porque gostamos de histórias. Trágicas, de preferência. Cada dia, cada semana, novos personagens aparecem - às vezes do meio do nada - e ocupam minutos e minutos de nossa cobiçada atenção.

O protagonista da semana não é outro senão Marcelo Silva, o ex-namorado da atriz Suzana Vieira, que, diga-se de passagem, nunca deve ter gozado de uma projeção assim em toda sua carreira.

Como todos sabem, Marcelo morreu ontem, muito provavelmente vítima de overdose. E também de uma superexposição midiática que deve ter contribuído - e muito - para o fato do cara ter se empanturrado de pó branco.

Embora há quem acredite que Ana Maria Braga esteja diretamente envolvida com o ocorrido.

Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

#33

Já que a falta de assunto é total (é a crise, hehe), vou tentar fazer um balanço do meu 2008 cinematográfico, literário e musical. Filmes, livros e discos que, se por mim consultados no porvir, acredito que me remeterão diretamente a esse 2008 tão confuso e corrido.

Vou começar pelo filme que, junto com Renata, acabei de ver, depois de meses de espera e de enrolação – Be Kind, Rewind (Rebobine, Por Favor, na versão brasileira), de Michel Gondry (a mesma cabeça por trás de A Ciência do Sono, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças e A Natureza Quase Humana, estes dois em parceria com Charlie Kaufman).

E começo por esse filme justamente por ele ter me remetido a uma época que ficou para trás – a era das locadoras de VHS, que, como todos se lembram, até parece, mas é diferente da atual, do DVD. Pelo menos para mim.

Comecei a ir ao cinema novo, bem novo. Mas foi só quando meu pai comprou o primeiro videocassete lá para casa (eu tinha cinco anos) que eu posso dizer que tive minha primeira experiência cinematográfica.

O primeiro filme que assistimos na geringonça foi “Indiana Jones e o Templo da Perdição”. Não sei o que aconteceu, mas foi como se uma machadada tivesse aberto uma fenda em minha cabeça de criança e um mundo inteiro e novo se apresentasse diante de mim.

Um mundo que até hoje não me canso de desbravar e querer conhecer mais e mais.

Mas foi só no dia seguinte, em que fui à locadora com meu pai devolver o filme, que vi que aquela experiência que mexera comigo na noite anterior poderia se repetir muitas vezes, e das mais variadas formas.

Nas capinhas dos filmes eu percebia um universo de histórias esperando, pedindo, implorando para serem contadas.

E eu não resisti, cedi aos seus apelos e, além das histórias, um caminhão de novos conceitos chegou, tais como listas de reservas, fitas entregues sem rebobinar, atrasadas, em capinhas trocadas e papos intermináveis com balconistas e sócios dos, então, videoclubes.

Época boa. Tempo de De Volta para o Futuro, Robocop, Os Caça-Fantasmas, Blade Runner, Mad Max, Gremlins, entre tantos outros. E que, em pouco mais de 90 minutos, o Michel Gondry conseguiu trazer de volta quase como um todo.

Voltando ao filme.

Acredito que todos vocês já esbarraram por aí com, pelo menos, a sinopse do Be Kind, Rewind - uma locadora de VHS, pequenina, humilde, um dia, por acidente, tem todas suas fitas desmagnetizadas. No desespero, um funcionário e um amigo (soberbamente interpretado por Jack Black) começam a refilmar os filmes toscamente, à sueca, como eles mesmo dizem (assistam, e entenderão). Nível Ed Wood para baixo.


Daí até o final, que obviamente não contarei, o Michel Gondry consegue, à sua peculiar maneira, fazer uma bela declaração de amor ao cinema e ao “fazer cinema”, tal qual o também francês Truffaut, em sua inesquecível Noite Americana. Embora, na minha opinião, as piadas do Gondry sejam mais engraçadas.

Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

#32

Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

#31

Em algum dos posts anteriores, eu dei início a uma série de rascunhos sobre um dos temas que mais mexe com a minha cabeça - a liberdade de expressão.

Um conceito (ainda) muito mal-compreendido, principalmente quando confrontado com outro, que é dele indissociável - a responsabilidade.

Mas quando é a burrice que toma conta...

Diário de Brasília: Ney Matogrosso

O cantor e ator passou rapidamente por Brasília. Está em dois filmes, ambos da mostra em 16mm. Um deles é Marcelo Bousada, Quem?, de Denílson Felix, que mostra um compositor tentando levar sua música para Ney Matogrosso ouvir e, se gostar, gravar. O outro é Depois de Tudo, em que Ney e Nildo Parente fazem um casal gay. Aliás, o filme foi pivô de uma saia-justa. Como a Sala Martins Pena, onde se realiza a mostra em 16 mm, estava cheia de crianças, Ney disse que considerava seu filme inadequado para menores e pediu que elas saíssem da sala. Depois de algum debate e troca de opiniões contrárias, as crianças tiveram de deixar o cinema. Não sem antes assistir ao primeiro filme, Medo do Escuro, que tem por tema crianças molestadas sexualmente.

Roubado do Zanin.

Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

#30

Enquanto o saco não esvazia, vamos de música.



Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

#29

Neste fim-de-semana, com muito esforço, consegui assistir a 70% de Mamma Mia!, esse musical com a Meryl Streep, cuja trilha é baseada nas músicas do Abba.

Bom, não sou de ficar falando mal de coisas que não gosto e nem montei esse blog para isso.

Pelo contrário.

Como sou da geração videoclipe, nunca tive problema em ver música. Mas Mamma Mia! não desceu. Aí, durante o filme, para aguentar o Pierce Brosnan cantar, elaborei em minha cabeça algumas listinhas com os filmes, documentários e shows de que mais gosto hoje, 12/11/2008.

Antes que alguém me apedreje, já vou informando que essas pequenas listinhas abaixo não têm a pretensão de nada. Meu critério foi 100% subjetivo. E, como já disse, eu nem gosto de listas.

3 Melhores Musicais

1 – Cantando na Chuva
2 – Dançando no Escuro
3 – Moulin Rouge

3 Melhores Filmes de Bandas Fictícias

1 – Spinal Tap
2 – Quase Famosos
3 – The Wonders

3 Melhores Filmes dos Beatles

1 – Let It Be
2 – Yellow Submarine
3 – First US Visit

3 Melhores Shows dos Rolling Stones

1 - Shine a Light
2 - Rock and Roll Circus
3 - Live at Olympia, Paris (do box Four Flicks)

3 Melhores Documentários

1 – Oasis – Lord Don't Slow Me Down
2 - U2 – Rattle And Hum
3 – Nirvana - Live! Tonight! Sold Out!

3 Melhores Documentários Conspiração Filmes

1 – Paralamas do Sucesso em Close Up
2 – Caetano Veloso – Circuladô
3 – Marisa Monte – Barulhinho Bom

3 Melhores Cinebiografias

1 - I'm not there
2 – Amadeus
3 – Ray

3 Melhores DVDs de Shows Internacionais

1 – U2 - Go Home
2 – REM – Perfect Square
3 – PJ Harvey - On Tour: Please Leave Quietly

3 Melhores DVDs de Shows Nacionais

1 – Ney Matogrosso – Ao Vivo
2 – Cássia Éller – Com Você o Meu Mundo Ficaria Completo
3 – Caetano Veloso – Noites do Norte

3 Melhores Coleções de Clips

1 - Bjork - Greatest Hits
2 - Groove Armada - Best Of
3 - The Chemical Brothers - Singles 93-03

Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

#28


Depois de todo oba-oba, Barack Obama vence as eleições presidenciais norte-americanas.

Espero, sinceramente, que esse excesso de esperança depositada no cara não se converta em excesso de decepção, tal qual aconteceu em um país tropical há poucos anos atrás.

Good luck!

Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

#27

Este post é dedicado àqueles que reclamam da falta de fantasia na vida hodierna.

Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008

#26

Esses caras que escrevem+desenham tirinhas são, na minha opinião, o mais próximo do que podemos chamar de gênios hoje em dia. Afinal, se esta é a época da informação em formato de pílula, eles já sacaram isso há muito tempo e com poucos quadrinhos, mínimo texto e imagens bacanas, eles resumem o que muito cronista não consegue em sei lá quantos toques.

Já que não sei desenhar e meu texto de mínimo não tem nada (além de estar longe de ser o máximo), acho que é meu dever divulgar o trabalho desse pessoal. Na verdade, é um prazer.

Então, inaugurando a seção “Tira! Tira! Tira!”, vamos de Liniers, um argentino com olhar e traço muito bacanas.





Tem mais aqui. E vale fuçar.

Terça-feira, 28 de Outubro de 2008

#25

Pouco antes de trocar o Direito pela Publicidade, assisti por acaso a um vídeo da campanha Valores do Brasil, assinada pelo Banco do Brasil, que, evidentemente, contribuiu para essa minha mudança de área e ares.

Essa campanha, para quem não lembra ou nunca ouviu falar, era o seguinte: sete valores (Fraternidade, Afeto, Identidade, Confiança, Originalidade, Alegria e Conhecimento), sete curtas-metragens de três minutos dirigidos por sete diretores (Andrucha Waddington, Beto Brant, Cacá Diegues, Carla Camurati, Daniel Filho, Fernando Meirelles e Jorge Furtado). E todos passaram na televisão apenas uma vez, em horário nobre.

Na época não tinha YouTube, um DVD foi prometido (mas acho que nunca saiu) e os filmes ficaram naquela “quem viu, viu, quem não viu, não viu”.

Bom, hoje tem YouTube, que (ainda) não tem todos os sete, mas o do Fernando Meirelles e o do Jorge Furtado só estão esperando você apertar o play.



Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

#24


Na última semana, o Brasil inteiro acompanhou o sequestro (e seu trágico desfecho) das meninas Eloá Pimentel e Nayara Silva. E acompanhou porque emissoras de rádio e televisão, jornais, revistas etc. fizeram questão de mostrar e transformar em espetáculo o drama e a loucura alheios em prol de seus índices de audiência.

Deu no que deu. E justo quem não devia morreu.

Mais ou menos o que aconteceu há alguns anos atrás, no caso do ônibus 174, que recentemente voltou à pauta das discussões pelo lançamento do novo longa de Bruno Barreto – Última Parada 174.

Também hiper-explorado pela mídia à época, todo mundo se lembra do quão patético e terrível foi seu encerramento.

Em suma: dois casos, duas vítimas inocentes e uma cobertura midiática implacável, como se o destino de todos os brasileiros dependesse da conclusão daquilo.

Torno a repetir: eu sei que tragédias fascinam, mas custava à TV, pelo menos enquanto essas coisas estão acontecendo, alienar (mais) um pouquinho seus telespectadores?

Talvez a Eloá ainda estivesse aí.

Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

#23


Tenho um amigo que é um gênio da economia. E vez ou outra ele nos presenteia com excertos de sua inacabada Teoria Holística Comprovada.

Sobre esta, algumas palavras são necessárias.

Há 15 anos no prelo, a obra, a ser lançada em breve e em três tomos, explica até coisas consideradas inexplicáveis, como, por exemplo, o domínio do clãs na cena cultural brasileira, como, por exemplo, o do clã Meirelles.

Família grande, cada um seguiu para um canto - Fernando foi para o cinema, Cildo virou artista plástico, J.T. e Ivo se enveredaram pela música, e tia Cecília acabou se tornando nossa poetisa maior.

Mas como, para se fazer cultura, aqui ou em qualquer outro lugar do mundo, um pouco de dinheiro sempre ajuda, nada mais justo (e lógico) que Henrique Meirelles continue à frente do Banco Central, centralizando todo o processo.

Entendeu?

Nem eu.

Questionado, E.M. apenas diz: leia o livro e saberás.

Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008

#22

Socialmente, sou daqueles que sempre mete o pau em listas de qualquer espécie. Melhor disco, filme, livro, lugar etc. Acho toda qualificação de “melhor” ou “pior” um critério muito mais pessoal que histórico/social passível de sistematização.

Por outro lado, sempre que qualquer lista cai em minhas mãos, fico um bom tempo analisando, concordando ou discordando das opiniões de quem a montou.

Tudo isso pra dizer que a lista dos 100 maiores artistas da música brasileira, publicada pela revista Rolling Stone deste mês, é no mínimo curiosa.

Concordo com a Santíssima Trindade. Tom Jobim, João Gilberto e Chico Buarque, nesta ordem.

Discordo de Caymmi e Pixinguinha depois de Tim Maia, de Renato Russo e Gal Costa na frente de Moacir Santos, Tom Zé e João Donato e do lugar em que colocaram o Radamés Gnatalli – 87. Detalhe que a chamada do tópico dele é “O segundo maestro soberano do Brasil”.

Enfim, mais uma lista, elaborada por jornalistas, radialistas, apresentadores de TV e, claro, críticos.

Críticos. Já entendi então porque o Ed Motta não está nessa lista.

Terça-feira, 14 de Outubro de 2008

#21


Semana passada, durante o festival de cinema do Rio de Janeiro, minutos antes da exibição do filme “Todo Mundo tem Problemas Sexuais”, de Domingos de Oliveira, Pedro Cardoso leu um manifesto contra a nudez no cinema e na TV brasileira.

Neste documento, Pedro acusou a nudez gratuita, aquela cujo único propósito é “agradar” o público, sem nada acrescentar à obra - fenômeno que há muito tempo constrange e incomoda boa parte do próprio público.

Admiro muito o trabalho do Pedro como ator e autor (recentemente, li e gostei bastante de “Os Ignorantes” e “O Auto-Falante”) e também a sua coragem de se manifestar sobre um assunto tão delicado de nossa cultura.

Embora, como bom mineiro que sou, minha posição quanto a esse assunto já esteja sacramentada há muito.

Dois cumpadre de Uberaba tavam bem sossegadim fumando seus respectivos cigarrim de paia e proseano. Conversa vai, conversa vem, eis que a certa altura um deles pergunta pro outro:

- Cumpadre, o que quiocê acha desse negócio de nudez?

No que o outro respondeu:

- Acho bão, sô!

O outro ficou assim, pensativo, meditativo... e perguntou de novo:

- Ocê acha bão purcaus diquê, cumpadre?

E o outro:

- Uai! É mió nudês do que nunosso, né não?

Domingo, 12 de Outubro de 2008

#20


Estão todos falando muito bem da nova coleção de músicas do Oasis, Dig Out Your Soul. E com razão, pois a nova safra de canções dos Gallagher & Cia. é realmente impressionante e revelam uma banda madura, mas com energia de sobra ainda para encher e balançar estádios mundo afora.

Modéstia à parte, eu já vinha cantando essa pedra há algum tempo, desde que Don’t Believe The Truth, o álbum anterior, foi lançado em 2006. É que neste disco, além da bateria de Zak Starkey (filho de Ringo Starr e membro efetivo do The Who), Andy Bell e Gem Archer entraram definitivamente no processo criativo da banda, processo este que, antigamente, era praticamente monopolizado por Noel Gallagher.

Deu certo, muito certo.

Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

#19

Eu acho muito engraçado quando se diz que algo (livro, música, filme, quadro etc.)veio para ficar, entrou para a História, é clássico absoluto, e por aí vai, porque esse é o tipo de coisa que só o Tempo pode dizer.

Vamos exemplificar pra simplificar: os Beatles.

Um dos poucos consensos entre crítica e público, os Beatles gravaram as canções que hoje conhecemos entre 1964 e 1969 (Free as a Bird e Real Love, de 1995, não contam, né?). Enfim, a Humanidade os conhece há 44 anos.

Aa músicas estão aí até hoje, muita gente ama (eu, inclusive) e são superiores a quase tudo lançado entre 1964 e hoje na música pop, lato sensu.

Clássicos, pois.

Não sei. Quarenta e quatro anos, para a História, é um período insignificante e eu não tive acesso ao Livro da Vida para saber que em 3154 a música dos Fab Four vai fazer sentido, ser ouvida, lembrada ou reverenciada como é desde que apareceu no mundo pela primeira vez.

Mas eu espero que sim.



PS.: Este show ocorreu no dia 30 de janeiro de 1969, dia em que minha saudosa mãe completava seus 18 anos. Desde que fiquei sabendo disso, costumo brincar que tal fato (o aniversário dela) motivou até um show surpresa dos Beatles. Pena ela não estar mais aqui para brincar com isso também.

Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

#18

Toda vez que eu era intimado para uma aposta, meu pai sempre me dizia uma frase extraída de Macunaíma que é mais ou menos assim: “Meu filho, come bosta, mas não aposta”.

Eu, que sempre rejeitei qualquer alimentação baseada em fezes, sempre que posso faço minha fezinha na Mega Sena e não costumo fugir de qualquer tipo de bolão, sorteio e aposta.

Bom, semana passada, estive com meu amigo Carlos Alenquer e não resisti: apostei com ele uma caixa de charutos cubanos que, em 2 anos, no máximo, ele estará resolvendo grande parte de seus problemas através de um celular conectado à Internet.

É que desde que comecei a trabalhar com mobile marketing, passei a estudar como um louco esse tema e a conclusão a que sempre chego é que esse é o típico fenômeno irreversível.

Assim como o celular e o PC, no início da década de 90, eram artefatos de luxo, é mera questão de tempo para que as novas tecnologias estejam ao alcance de um número absurdo de pessoas, dando uma nova sacudida no acesso ao conhecimento, nos negócios e, óbvio, nas relações entre as pessoas.

E se o iPhone já causou esse impacto todo, quer apostar quanto que quando a Nokia conseguir lançar o Morph, essa festa toda em cima do celular da Apple vai parecer um mero happy hour?

Valendo outra caixa de charutos cubanos.

#17

Enquanto as bolsas caem como nunca e o Lula assina a reforma ortográfica, robôs andam de monociclo no Japão.

Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

#16


Hoje, li no G1 que os novos ídolos-mirim Hannah Montana e Jonas Brothers estão se transformando em verdadeiros porta-bandeira de um tabu que parecia estar rompido há muito: a virgindade.

Respeito muito. Ainda mais que eles se dirigem a um público que não precisa nem deveria assistir a insinuações de cunho sexual em tão tenra idade.

Mas o mais divertido, como sempre, acontece do lado de baixo do Equador.

É que Caroline Miranda, sobrinha de Gretchen, acabou de fechar um contrato com uma produtora para a realização de “Fiz pornô e continuo virgem”.

Ahn?

Pois é. Caroline não topou perder a virgindade na frente das câmeras. Suas cenas serão apenas de sexo anal.

Enfim, não deixa de ser uma maneira curiosa de usar o anel para manter a virgindade.

Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008

#15

Ontem, navegando por esses infinitos mares de 0 e 1, fiquei sabendo por acaso de uma polêmica gerada pelo editor-chefe do Caderno B do Jornal do Brasil, Mario Marques, que gastou seu nobre espaço para falar mal do CQC.

Direito dele. E problema também.

Porque, logo depois, centenas de leitores indignados escreveram ao JB ofendendo o Mario, exigindo uma retratação, ameaçando cancelarem suas assinaturas etc.

O Thiago Ney, da Folha de São Paulo, passou por isso recentemente.

Semana passada, escreveu na Ilustrada que o primeiro disco solo do Marcelo Camelo ”beira o insuportável” e recebeu centenas de e-mails desaforados de fãs do hermano.

Não vou entrar no mérito se as críticas foram ou não devidamente fundamentadas, mas, mesmo que não, a liberdade de expressão continua sendo um dos direitos mais mal compreendidos nesta nossa democracia, que mais parece coisa do demo, de tão deturpada.

Ora, em um mundo onde existe gente que come cocô, nada mais natural (e louvável) que cada um pense de um jeito, não acha?

Eu sei, tem certas coisas, como Beatles, Stanley Kubrick e feijoada, que todo mundo deveria ser obrigado a amar e reverenciar.

Mas, graças a Deus, não é bem assim e não importa o quanto você, seus amigos, sua família e a crítica achem determinada coisa genial: sempre vai existir aquele que pensa o contrário.

E já que toda unanimidade é burra, melhor que seja assim.

Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

#14


Eu sempre leio essas frases que o pessoal coloca ao lado de seus nicks no MSN. Tem de tudo: estados de espírito, declarações de amor, convites, propaganda etc.

Tem gente que não suporta. Mas eu, apesar de não utilizar, acho bacana. Mesmo.

Bom, inspirado naquele conto do Luís Fernando Veríssimo, que por sua vez já é inspirado num monólogo do Shakespeare, vamos, humildemente, a um esboço da comédia da vida digital, em sua versão frases de MSN.

Comecemos com nosso personagem ali na casa dos 18, 19, que é quando, na maioria dos casos, a vida começa pra valer.

*************

Fulano – carteira na mão, carteira na mão

Fulano – vestibular? coisa do passado. vem aí Dr. Fulano. hehehe

Fulano – 1º churrasco da turma. convites comigo

Fulano – ressaca

Fulano – 2º churrasco da turma. convites comigo

Fulano – ressaca

Fulano – odeio direito civil

Fulano – 3º churrasco da turma. convites comigo

Fulano – ressaca

Garfield – odeio segunda-feira

Fulano – vida (?) de estagiário! chega, sexta!

Fulano – formei. daqui pra frente: Dr. Fulano, ok? hehehe

Fulano – living la vida loca, yeah!

Fulano – meu nome é trabalho

Fulano – happy hour

Fulano – ressaca. tô ficando velho pr’essas coisas

Fulano – jogando bola na casa do Sicrano

Fulano – jogando poker na casa do Luciano

Fulano – festa de 3 anos de formado. tô dentro!

Fulano – zu, sempre soube que era vc

Fulano – zu, não existo sem vc

Fulano – zu, casa comigo?

Noivo – anel no dedo

Fulano – faltam 4 dias

Fulano – faltam 3 dias

Fulano – faltam 2 dias

Fulano – falta 1 dia

Fulano – casando. zu, te amo!

Fulano – lua-de-mel em paris! uhu!

Fulano – e não é que casar é bom demais?

Fulano – jogando poker online

Fulano – futuro pai de gêmeos

Paizão – meus filhos, minha vida. fotos do parto em http://www.flickr.com/Pictures/Fulano/2010/bercario.html

Fulano – almoço na casa da sogra

Fulano – vendo temperatura máxima

Fulano – vendo faustão

Fulano – vendo o galo perder pro vitória

Fulano – vendo faustão de novo

Fulano – vendo fantástico

Fulano – vendo notebook novo na caixa

Fulano – levando crianças pra escola

Fulano – buscando crianças na escola

Fulano – buscando crianças na natação

Fulano - buscando crianças no inglês

Fulano – buscando crianças no espanhol

Fulano - buscando crianças no mandarim

Fulano – terapeuta de casal, alguém indica?

Fulano – odeio advogados

Fulano – antes só que mal acompanhado

Fulano – dia de curtir os filhos

Fulano – meu peito dói (saudade?)

Fulano – meu peito dói de verdade

Fulano – meu peito dói pra car%$*@

Fulano – enfartando?

Fulano – algum médico aí? help!

Fulano – agonizando

Fulano – fui

Domingo, 21 de Setembro de 2008

#13

E o Galo vence na primeira partida após a renúncia de Ziza Valadares.

Pode ser apenas uma mera coincidência, mas não deixa de ser um bom sinal.

Agora vem o desmando. Quem vai pegar a batata quente? Para ser bem sincero, caguei.

Como é ano de comemorações, melhor esquecer um pouco o presente, reduzir ao máximo as expectativas quanto ao futuro próximo (o Projeto Tóquio 2013 continua de pé, se o mundo não acabar no ano anterior, claro) e relembrar coisas como essa semi-final do Campeonato Brasileiro de 1994, em que Atlético e Corinthians disputavam o posto de adversário do Palmeiras-Parmalat na Grande Final.

Primeiro jogo, Mineirão lotado. Gol do meio-de-campo, duas viradas de placar e três gols de um cara que tinha tudo para reinar, se um certo fenômeno aí não tivesse ocorrido.

Além de trauma inconteste da minha infância: eu não estava lá.

Enfim, vamos ao vídeo, que é mais bacana. As imagens não estão muito boas, mas dá pra ver legal.